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Claire Hermann, chermann@earthworksaction.org

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New York, NY — O “greenwashing” corporativo da mineração perigosa e irresponsável esteve em destaque ontem na Semana do Clima de Nova York, quando a Sigma Lithium tocou o sino de encerramento da Nasdaq.

Comunidades indígenas, quilombolas e outras comunidades afrodescendentes próximas à mina da Sigma Lithium no Brasil afirmam que seus direitos e sua segurança estão sendo sacrificados. As ações judiciais e as violações regulatórias contra a empresa vêm se acumulando. A mina perdeu suas licenças ambientais no início deste mês, mas continua em operação.

O comunicado à imprensa da Sigma Lithium sobre a cerimônia de encerramento da bolsa destaca a empresa como pioneira no fornecimento de minerais que, segundo ela, irão alimentar “energia limpa para data centers e desenvolvimento sustentável”. Por trás dos elogios que a empresa faz a si mesma, escondem-se verdades incômodas sobre como as empresas de mineração podem destruir o futuro sustentável no qual afirmam investir.

A Sigma enfrentou inúmeros desafios jurídicos e regulatórios fundamentados no último ano. Partes de suas operações foram suspensas, primeiro por autoridades trabalhistas devido a sérias preocupações de segurança relacionadas às pilhas de rejeitos e, em seguida, devido a impactos ambientais na água e na vegetação, incluindo um derramamento de resíduos de mineração. Mais recentemente, um tribunal ordenou que a mina suspendesse as operações por ter violado o direito legal de uma comunidade quilombola vizinha de decidir se e como a mineração deve ocorrer em seu território.

A mina alega que opera sem as barragens necessárias para conter os rejeitos e que tem uma estratégia para não armazenar nenhum rejeito no seu local de operação, mas um relatório da Earthworks divulgado no início deste ano desmentiu as alegações do setor de mineração de que existam operações com “zero rejeitos”. Os pesquisadores não encontraram nenhuma instalação desse tipo em nenhum lugar do planeta.

Pronunciamento de Djalma Ramalho (Aranã Caboclo), da Cultural Survival

“A crise climática é também uma crise de narrativas. Enquanto a Sigma Lithium toca o sino da Nasdaq, nossas comunidades soam o alarme. A indústria do lítio retrata o Vale do Jequitinhonha como uma terra de fome e atraso para justificar o sacrifício de uma região inteira e de seus povos em nome de um futuro que não nos inclui. Chamam o lítio de ‘verde’, mas esse termo não torna sua extração justa ou ambientalmente responsável.”

“As medidas regulatórias e uma decisão judicial que suspende as licenças ambientais da mina expõem a discrepância entre as alegações da empresa e os direitos de nossas comunidades. Enquanto a Sigma comemora seus lucros, nós sofreremos os riscos para nossas águas, nossos territórios e nossas vidas.

“No Vale do Jequitinhonha, o rio é nosso ancestral que atravessa a terra. Nosso território sustenta nossos modos de vida hoje e nosso futuro coletivo. Nenhuma promessa de energia limpa pode justificar o sacrifício das comunidades indígenas, quilombolas e outras comunidades afrodescendentes. Uma transição justa começa com nossos direitos, nossas vozes e nosso poder de decidir se, como e onde faremos essa transição.”

Djalma Ramalho é membro da comunidade Aranã Caboclo, uma comunidade indígena afetada pela Sigma Lithium, e é associado do Programa Brasil da Cultural Survival.

Pronunciamento de Jan Morrill, Earthworks

“Não há futuro sustentável sem o poder das comunidades, a liderança dos Povos Indígenas e a responsabilidade corporativa.”

“A Sigma Lithium é um exemplo de como uma empresa pode usar a linguagem da sustentabilidade para tentar ocultar os danos que causa. Os líderes indígenas e tradicionais que se manifestam para defender suas comunidades contra os danos são exemplos para todos os que fazemos parte do movimento climático. Um futuro forte e confiável precisa ser construído com base no respeito a todas as pessoas e aos seus direitos fundamentais.”

“É difícil aceitar as declarações da empresa depois de visitar os moradores da comunidade. A empresa afirma que não tem barragens para conter os rejeitos da mina. Eu já estive debaixo dessas enormes estruturas de terra que retêm os resíduos da mina. Ela afirma que suas operações não afetam as residências locais. Eu vi as rachaduras nas paredes e a poeira que se espalha pelas pilhas de rejeitos. Esse é um dos exemplos mais claros que já vi de por que as pessoas cujas vidas e casas são afetadas precisam ter o poder de decidir quando e como as empresas operam, e por que os governos devem garantir que as empresas cumpram as regras.”

Jan Morrill é International Mining Senior Manager at Earthworks.

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